quarta-feira, 29 de setembro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
INGÁ - Instituto de Gestão das Águas e Clima
O Instituto de Gestão das Águas e Clima (INGÁ) está implementando o Programa Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca para o Estado da Bahia, tendo como objetivo central a construção coletiva do Plano de Ação Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAE – Bahia).
Entre os estados nordestinos, a Bahia é o que possui hoje, em extensão geográfica, a maior Área Sujeita à Desertificação (ASD), com 490 mil quilômetros quadrados do Estado, o que equivale a aproximadamente 86,8% do território e 289 municípios localizados no semi-árido.
A desertificação tem origem a partir não só de fatores físicos e biológicos, mas também sociais, econômicos e políticos. Portanto, combater a desertificação significa discutir os atuais modelos de desenvolvimento no Estado.
Objetivos do Programa
Combater a pobreza e as desigualdades sociais;
Promover a gestão democrática dos recursos naturais;
Promover a gestão democrática dos recursos naturais;
Preservar, conservar, manejar de forma sustentável os recursos naturais, ampliando a capacidade produtiva.
Abrangência
Região de Guanambi: Guanambi, Malhada, Livramento de Nossa Senhora, Iuiú, Sebastião Laranjeiras, Urandi, Palmas de Monte Alto, Matina, Igaporã, Caetité, Candiba, Pindaí, Lagoa Real, Licínio de Almeida, Mortugaba, Ibiassucê, Caculê, Jacaraci, Brumado e Riacho de Santana.
Região de Irecê: Irecê, América Dourada, Canarana, Barra do Mendes, Barro Alto, Cafarnaum, Jussara, Uibaí, Ibititá, João Dourado, Central, Lapão, Presidente Dutra, Ibipeba, Itaguaçu da Bahia e São Gabriel.
Região de Jeremoabo: Jeremoabo, Macururé, Rodelas, Chorrochó, Paulo Afonso, Glória, Santa Brígida, Uauá, Canudos, Pedro Alexandre, Coronel João Sá, Novo Triunfo, Antas, Cícero Dantas e Euclides da Cunha.
Região de Juazeiro: Juazeiro, Remanso, Sento Sé, Casa Nova, Sobradinho, Campo Formoso, Jaguarari, Curaça e Abaré.
Resultados
• Reativação do Grupo de Trabalho “GT Desertificação”. Este GT reúne membros da equipe da Coordenação Socioambiental (COSAM), das Unidades Regionais (Senhor do Bonfim, Irecê, Juazeiro, Barreiras, Guanambi, Jequié, Feira de Santana e Seabra), representantes de outros órgãos públicos e representantes de entidades da sociedade civil para discutir o planejamento do Programa e participar das ações de mobilização previstas. A 1ª reunião aconteceu em 06 de março e de desde então foram convocadas e realizadas mais 08 (oito) encontros. A média de participantes em cada reunião é de, aproximadamente, 15 pessoas.
• Realização do I Seminário de Mudanças Climáticas e Desertificação na Bahia. Como a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (CCD) definiu o dia 17 de junho como o Dia Mundial de Combate a Desertificação, o INGÁ através do Centro Estadual de Metereologia da Bahia (Cemba) e da Cosam, realizou este seminário entre os dias 16 e 19 de junho. Além da apresentação do Programa, foram apresentadas diversas palestras sobre o tema;
• Realização do Diálogo das Águas com o tema: Desertificação e Água em Salvador, 25 de Setembro cujo palestrante foi o Dr. Iedo de Sá, pesquisador da EMBRAPA Semi-árido;
• Inclusão do tema Desertificação como um dos 06 eixos temáticos nas oficinas realizadas nos Encontros pelas Águas 2009, evento de caráter participativo promovido pelo INGÁ para discutir temas de relevante interesse socioambiental nas Regiões de Planejamento e Gestão das Águas (RPGA).
• Ao longo de 2009 foram visitados 50 municípios em três pólos. Foram eles:
- Pólo Guanambi entre 11 e 22 de maio;
- Pólo Irecê entre 06 e 17 de julho;
- Pólo Jeremoabo entre 09 e 20 de novembro.
A visita ao Pólo Juazeiro está prevista para ser realizada em fevereiro de 2010. Este pólo é formado por 10 municípios: Juazeiro, Remanso, Sento Sé, Casa Nova, Sobradinho, Campo Formoso, Jaguarari, Curaça, Uauá e Canudos.
Parceiros
Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs)
Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irppa)
Instituto de Permacultura em Terras Secas (Ipêterras)
Movimento Via do Trabalho
Cáritas Regional
Tuxa – Organização, Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo
Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado da Bahia (Fetag)
Instituto do Meio Ambiente (Ima)
Superintendência de Agricultura Familiar (Suaf) da Secretaria de Agricultura (Seagri)
Regiões de Planejamento e Gestão das Águas – RPGAs, no Estado da Bahia:
I - Rio Doce;
II - Rio Mucuri
III - Rios Peruípe, Itanhém e Jucuruçu;
IV - Rios dos Frades, Buranhém e Santo Antônio;
V - Rio Jequitinhonha;
VI - Rio Pardo;
VII - Leste;
VIII - Rio das Contas;
IX - Recôncavo Sul;
X - Rio Paraguaçu;
XI - Recôncavo Norte;
XII - Rio Itapicuru;
XIV - Rio Vaza-Barris;
XVI - Rios Macururé e Curaçá;
XVII - Rio Salitre;
XVIII - Rios Verde e Jacaré;
XIX - Lago de Sobradinho;
XX - Rios Paramirim e Santo Onofre;
XXI - Riachos da Serra Dourada e Brejo Velho;
XXII - Rio Carnaíba de Dentro;
XXIII - Rio Grande;
XXIV - Rio Corrente;
XXV- Rio Carinhanha;
XXVI – Rio Verde Grande.
Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irppa)
Instituto de Permacultura em Terras Secas (Ipêterras)
Movimento Via do Trabalho
Cáritas Regional
Tuxa – Organização, Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo
Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado da Bahia (Fetag)
Instituto do Meio Ambiente (Ima)
Superintendência de Agricultura Familiar (Suaf) da Secretaria de Agricultura (Seagri)
Visando promover a conservação dos mananciais hídricos do Estado da Bahia, o Instituto de Gestão das Águas e Clima (INGÁ) - autarquia vinculada à Secretaria do Meio ambiente (Sema), responsável pela gestão das águas no território baiano - propõe o Programa Estadual de Restauração e Conservação das Matas Ciliares e Nascentes do Estado da Bahia (Permac).
Completamente inserido nas atribuições do INGÁ, definidas pela Lei 1.050/2009, o Permac objetiva minimizar e coibir a degradação dos mananciais hídricos estaduais e a estimular a restauração e conservação das APP – Áreas de Preservação Permanente, principalmente as matas ciliares e nascentes, de forma a garantir água, em qualidade e quantidade, a médio e longo prazos, à população baiana.
Completamente inserido nas atribuições do INGÁ, definidas pela Lei 1.050/2009, o Permac objetiva minimizar e coibir a degradação dos mananciais hídricos estaduais e a estimular a restauração e conservação das APP – Áreas de Preservação Permanente, principalmente as matas ciliares e nascentes, de forma a garantir água, em qualidade e quantidade, a médio e longo prazos, à população baiana.
Objetivos do Programa
Viabilizar projetos de restauração e recuperação da vegetação nativa ao longo dos rios, ao redor de barragens e nascentes visando à proteção de mananciais de abastecimento e recarga de aqüíferos;
Reduzir o processo de erosão do solo e o assoreamento dos rios e reservatórios d’água, promovendo a melhoria da qualidade e quantidade de água;
Conservar a biodiversidade através da implantação de corredores naturais, através das matas ciliares visando reduzir o impacto da fragmentação da vegetação nativa e sua manutenção em longo prazo; dentre outros.
Reduzir o processo de erosão do solo e o assoreamento dos rios e reservatórios d’água, promovendo a melhoria da qualidade e quantidade de água;
Conservar a biodiversidade através da implantação de corredores naturais, através das matas ciliares visando reduzir o impacto da fragmentação da vegetação nativa e sua manutenção em longo prazo; dentre outros.
Abrangência
Regiões de Planejamento e Gestão das Águas – RPGAs, no Estado da Bahia:
I - Rio Doce;
II - Rio Mucuri
III - Rios Peruípe, Itanhém e Jucuruçu;
IV - Rios dos Frades, Buranhém e Santo Antônio;
V - Rio Jequitinhonha;
VI - Rio Pardo;
VII - Leste;
VIII - Rio das Contas;
IX - Recôncavo Sul;
X - Rio Paraguaçu;
XI - Recôncavo Norte;
XII - Rio Itapicuru;
XIV - Rio Vaza-Barris;
XVI - Rios Macururé e Curaçá;
XVII - Rio Salitre;
XVIII - Rios Verde e Jacaré;
XIX - Lago de Sobradinho;
XX - Rios Paramirim e Santo Onofre;
XXI - Riachos da Serra Dourada e Brejo Velho;
XXII - Rio Carnaíba de Dentro;
XXIII - Rio Grande;
XXIV - Rio Corrente;
XXV- Rio Carinhanha;
XXVI – Rio Verde Grande.
Ingá - Instituto De Gestão Das Águas e Clima
| Encontro de meteorologistas do nordeste discute essas temáticas |
| em 18/06/2010 |
| A indagação: Será que vai chover? ou a famosa reclamação: que calor retado! As duas expressões representam nada mais nada menos como as informações do tempo e clima podem ajudar a população. A meteorologia acaba sendo um guia para orientar a sociedade e para auxiliar decisões estratégicas do Estado. E para tanto esses dados necessitam ser divulgados de forma simples, mas com total precisão e qualidade. Essa foi a idéia passada pelo jornalista do Laboratório de Meteorologia de Pernambuco (Lamepe), Robério Coutinho, que falou sobre meteorologia e comunicação na sexta-feira (18.06), no auditório Paulo Jackson do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), como parte integrante da ‘VII Reunião de Análise e Previsão Climática para o Nordeste do Brasil’. Além de chamar a atenção de que muitas vezes é o jornalista quem generaliza o tema em questão, mas outras vezes é o próprio meteorologista que não formula com precisão e qualidade a informação passada ao jornalista, Coutinho também abordou o tema ‘Mudanças climáticas e mídia: um estudo de caso em Pernambuco’. O trabalho consiste consiste na triagem de notícias publicadas nos principais veículos de mídia de Pernambuco e de outros estados do Nordeste entre os meses de março e abril deste ano. De acordo com o jornalista, os dados adquiridos na pesquisa demonstram a necessidade de ampliar com certa urgência a quantidade de equipamentos que auxiliam o monitoramento do clima, como plataformas e satélites. “As mudanças climáticas não são para amanhã, são para hoje. O clima já está mudando”, disse. A triagem do estudo detectou 220 notícias veiculadas e observou como a cobertura jornalística foi feita. Coutinho observa que as conseqüências da chuva costumam ganhar bastante espaço nos meios de comunicação, principalmente quando provocam desastres e catástrofes. O estudo de caso apresentado conclui que a inserção de pautas sobre o clima no noticiário interfere na formulação de políticas públicas traçadas pelos gestores e acredita que os veículos de comunicação amplificam as vozes dos meteorologistas. No seu ponto de vista, é pertinente noticiar as mudanças climáticas e é importante acompanhar como essas essa inserção de pautas está sendo feita. “Não basta falar sobre o aquecimento global, mas também como isso afeta a população e como a informação é passada nas notícias”, afirmou. |
Compostagem
A compostagem é o processo de transformação de materiais grosseiros, como palhada e estrume, em materiais orgânicos utilizáveis na agricultura. Este processo envolve transformações extremamente complexas de natureza bioquímica, promovidas por milhões de microorganismos do solo que têm na matéria orgânica in natura sua fonte de energia, nutrientes minerais e carbono. O que é o composto? O composto é o resultado da decomposição da matéria orgânica, em presença de oxigênio do ar, que dá origem ao gás carbônico, calor, água e a matéria orgânica "compostada". Sua presença no solo aumenta o número de minhocas, insetos e microorganismos desejáveis, ajudando a reduzir a incidência de doenças de plantas. Na agroecologia a compostagem tem como objetivo transformar a matéria vegetal em dois tipos de composto: um para ser incorporado nos primeiros centímetros de solo e outro para ser lançado sobre o solo, como uma cobertura. Esta cobertura se chama "mulche" e influencia as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, beneficiando o estímulo ao desenvolvimento das raízes das plantas, que se tornam mais capazes de absorver água e nutrientes do solo, aumento da capacidade de infiltração de água do solo, reduzindo a erosão, estabilidade de temperatura e pH do solo, além de favorecer a reprodução de microorganismos benéficos às culturas agrícolas. Preste atenção na historinha.... Muitas pessoas acreditam que um bom composto é difícil de ser feito ou exige um grande espaço para ser produzido, outras que é sujo e atrai animais indesejáveis. Porém, um composto pode ser produzido com pouco esforço e custos mínimos. Outro engano muito comum é mandar para a lata do lixo partes dos alimentos que poderiam ir para o prato: folhas de muitas hortaliças, talos, cascas e sementes que são ricas fontes de fibra e de vitaminas e minerais fundamentais para o bom funcionamento do organismo, o que comprova que a melhoria da saúde das famílias pode ser conseguida como medidas simples como o reaproveitamento integral de alimentos. Todos os restos de alimentos, estercos animais, aparas de grama, folhas, galhos, restos de culturas agrícolas, enfim, todo o material de origem animal ou vegetal pode entrar na produção do composto.O cuidado que se deve ter é de não usar algund materiais como madeira tratada com pesticidas contra cupins ou envernizadas, vidro, metal, óleo, tinta, couro, plástico e papel, pois não são facilmente degradados. No geral é de suma importância o uso de esterco de animais, qualquer tipo de plantas, pastos, ervas, cascas, folhas verdes e secas, palhas, todas as sobras de cozinha que sejam de origem animal ou vegetal e qualquer substância que seja parte de animais ou plantas (pêlos, lãs, couros, algas). Quanto mais variados e mais picados os componentes usados, melhor será a qualidade do composto e mais rápido o término do processo de compostagem. Para preparar as pilhas do composto deve-se escolher um local com facilidade de acesso, disponibilidade de água para molhá-las e com solo de boa drenagem, considerando a relação carbono-nitrogênio (Relação C/N), o que irá suprir os microrganismos para uma boa decomposição. A montagem se dá em camadas, iniciando com material vegetal seco de aproximadamente 15 a 20 centímetros, com elementos de alta relação C/N (folhas, palhadas, troncos ou galhos picados), seguindo com a deposição de materiais vegetais frescos, com baixa relação C/N (restos de cozinha, esterco, grama). Essa combinação C/N alta, C/N baixa é considerada ideal para a compostagem. Cada camada montada deve ser umedecida para uma distribuição mais uniforme da água por toda a pilha, que deve alcançar a altura de 1,5 metros. Durante os primeiros dias, a pilha pode ter seu volume reduzido até um terço do inicial, tornando as camadas inferiores mais densas, para isso,recomenda-se fazer o revolvimento da pilha. O ideal é que sejam feitos pelo menos três revolvimentos no primeiro mês de compostagem, aos 7, 17 e 30 dias, aproximadamente. Não deve deixar de verificar a umidade da pilha e, caso seja necessário, irrigar o material para torná-lo úmido, mas não encharcado,de modo que quando aperte um punhado composto na mão, pingue, mas não escorra água. No verão, se o composto estiver a pleno sol, é bom cobri-lo com folhagens para evitar o excesso de evaporação de água. Uma vez que a pilha de composto foi montada, não se devem acrescentar novos materiais. O composto maduro, cujo prazo ´varia de 60 a 90 dias, tem cheiro agradável. Os materiais usados formam uma massa escura na qual não se diferencia um do outro. Uma vez pronto, não deve ficar exposto à ação do tempo. Enquanto não for utilizado, deve permanecer umedecido e protegido do sol e da chuva. Depois de ficar sabendo de tudo isso agora é só partir para o trabalho e fazer cobertura morta!
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Energias Renováveis
A energia renovável é aquela que é obtida de fontes naturais capazes de se regenerar, onde consideravelmente sua produção é maior que o seu consumo sendo, portanto, praticamente inesgotáveis, como por exemplo: • O Sol: energia solar • O vento: energia eólica • Os rios e correntes de água doce: energia hidráulica • Os mares e oceanos: energia mareomotriz • A matéria orgânica: biomassa • O calor da Terra: energia geotérmica Essas energias renováveis são consideradas como "alternativas" ao modelo energético tradicional, pela sua disponibilidade, por não precisar de milhares de anos para sua formação como é o caso dos combustíveis fósseis, pelo menor impacto ambiental. Eis algumas características dos tipos de energias renováveis: Energia Solar – O sol sempre foi uma fonte de energia de onde utilizamos seu calor. As plantas usam a luz do sol para produzir alimento e os animais alimentam-se delas. Pode ser aproveitada de diversas formas através de diversos tipos de conversão. Energia Eólica – A energia cinética dos ventos é uma fonte de energia que pode ser transformada em elétrica e mecânica. São as formas de produzir força através dos ventos. Os cata-ventos e embarcações a vela, por exemplo, são formas bastante antigas de seu aproveitamento. Biomassa - a energia química, produzida pelas plantas através da fotossíntese. É distribuída e armazenada nos corpos dos seres vivos graças a grande cadeia alimentar, onde a base primária são os vegetais. Plantas, animais e seus derivados são biomassa. Sua utilização como combustível pode ser feita das suas formas primárias ou derivados: madeira bruta, resíduos florestais, excrementos animais, carvão vegetal, álcool, óleos animal ou vegetal, gaseificação de madeira, biogás etc. Hidroenergia - energia cinética das massas de água dos rios, que fluem de altitudes elevadas para os mares e oceanos graças à força gravitacional. Este fluxo é alimentado em ciclo reverso graças à evaporação da água. A hidroenergia também pode ser vista como forma de energia potencial; volume de água armazenada nas barragens rio acima. Benefícios na utilização das energias renováveis: A utilização das energias renováveis em substituição aos combustíveis fósseis é considerada direção viável e vantajosa. Além de serem praticamente inesgotáveis já nos é provado do baixo custo dessas energias para o meio ambiente, cujos impactos têm sido freqüentes. Graças aos diversos tipos de manifestação, disponibilidade de larga abrangência geográfica e variadas possibilidades de conversão, as renováveis são bastante próprias para geração distribuída e ou autônoma. Vale ressaltar que o desenvolvimento das tecnologias para o aproveitamento dessas energias poderá beneficiar comunidades rurais propiciando a melhoria da qualidade de vida das famílias. Isso certamente diminuirá o êxodo rural e a má distribuição da renda. |
ASA BRASIL - Articulação no Semi-Árido Brasileiro
| ASA participa de encontro preparatório para conferência internacional do clima |
A atividade foi dividida em quatro grupos de trabalho, que trabalharam cada um, uma temática específica. O grupo “Governança: representação, direitos, equidade e justiça” contou com a presença de seis palestrantes que apresentaram experiências exitosas na região Semiárida, dentre elas, a experiência da ASA. O coordenador executivo da ASA, José Aldo dos Santos, explicou como a Articulação, através dos seus programas, tem contribuído para a construção de um Semiárido sustentável e como essas ações têm ajudado a construir políticas públicas para a região. José Aldo acredita que as experiências desenvolvidas através dos programas da ASA podem contribuir nesse debate. “Essas experiências permitem que as famílias pensem na estocagem de água e de alimentos. Mas também permite que elas trabalhem em um processo de gestão das políticas públicas de forma descentralizada”, afirmou o coordenador. As outras experiências apresentadas durante este momento foram: O Pacto das Águas do Ceará, a experiência da ONG Caatinga, que faz parte da ASA em Pernambuco, o Selo UNICEF Município aprovado, a Bodega da Caatinga e o Programa de Ação Estadual para o Combate à desertificação e Mitigação aos Efeitos da Seca. A perspectiva é montar uma agenda propositiva de políticas públicas baseadas nas experiências já existentes e nas tecnologias usadas no Semiárido nordestino, para ser encaminhada à Conferência Internacional, que será realizada em agosto, no Ceará. ICID 2010 Cerca de 2.000 participantes de mais de 60 países devem participar da ICID 2010, que será realizado em agosto, em Fortaleza, no Ceará. A Conferência Internacional pretende discutir os desafios de desenvolvimento sustentável que enfrentam as regiões secas (áridas, semiáridas e subúmidas secas), diante das mudanças ambientais e climáticas em andamento. Os resultados e recomendações da ICID 2010 serão uma contribuição dos participantes da ICID para a Conferência de Cúpula das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio + 20, que se realizará no Rio de Janeiro em 2012. |
Golpe de Estado na Guatemala 1954
O golpe de estado que abalou a Guatemala em 1954 foi uma operação denominada PBSUCESS organizada pela CIA para derrubar Jacobo Arbenz Guzmán, o Presidente democraticamente eleito da Guatemala. O governo Arbenz introduziu uma série de reformas que a "inteligência americana" considerou como atribuídos aos comunistas e de influência soviética, como a apreensão e expropriação de terras não utilizadas que corporações privadas retiradas há muito tempo, e distribuição dessas terras para camponeses. Isso fomentou o receio nos EUA de que a Guatemala se tornaria o que Allen Dulles chamou de "uma praia Soviética na América" (uma posição inimiga para a invasão). Esta situação criou um impacto na CIA e na administração Eisenhower durante a época do Macartismo. O Presidente Arbenz promulgou essencialmente uma reforma agrária que antagonizava a multinacional norte-americana United Fruit Company, com interesses oligarquicos e influências na Guatemala, através de "lobbyings" nos EUA.
A operação, que durou apenas a partir de finais de 1953-1954, foi planejada para armar e treinar para um "exército de libertação" assumir o país, com cerca de 400 rebeldes sob o comando de um oficial exilado do exército guatemalteco o coronel Carlos Castillo Armas com uma coordenação ardil do complexo diplomático, económico e propaganda em grande parte experimental. A invasão foi precedida de um plano desde 1951, chamado PBFORTUNE para financiar e fornecer armas e suprimentos para as forças opostas ao presidente. Após a invasão a Operação PBHISTORY, a fim de dedicar-se à recolha de documentos para incriminar o governo Arbenz de fantoche comunista.
Ao longo das próximas quatro décadas após a derrubada de Arbenz, a sucessão de governantes militares iria criar uma guerra de contra-insurgência, que desestabilizou a sociedade guatemalteca. A violência causou a morte e o desaparecimento de mais de 140.000 guatemaltecos, e alguns ativistas dos direitos humanos, coloca o número de mortes tão elevado como 250.000. Em etapas posteriores deste conflito a CIA tentou, com algum sucesso reduzir as violações dos direitos humanos e parou um golpe em 1993 e ajudou a restaurar o regime democrático.
A operação, que durou apenas a partir de finais de 1953-1954, foi planejada para armar e treinar para um "exército de libertação" assumir o país, com cerca de 400 rebeldes sob o comando de um oficial exilado do exército guatemalteco o coronel Carlos Castillo Armas com uma coordenação ardil do complexo diplomático, económico e propaganda em grande parte experimental. A invasão foi precedida de um plano desde 1951, chamado PBFORTUNE para financiar e fornecer armas e suprimentos para as forças opostas ao presidente. Após a invasão a Operação PBHISTORY, a fim de dedicar-se à recolha de documentos para incriminar o governo Arbenz de fantoche comunista.
Ao longo das próximas quatro décadas após a derrubada de Arbenz, a sucessão de governantes militares iria criar uma guerra de contra-insurgência, que desestabilizou a sociedade guatemalteca. A violência causou a morte e o desaparecimento de mais de 140.000 guatemaltecos, e alguns ativistas dos direitos humanos, coloca o número de mortes tão elevado como 250.000. Em etapas posteriores deste conflito a CIA tentou, com algum sucesso reduzir as violações dos direitos humanos e parou um golpe em 1993 e ajudou a restaurar o regime democrático.
CARLOS LAMARCA - REVOLUCINÁRIO
Comandante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).Nascido no Rio de Janeiro, em 27 de outubro de 1937, Carlos Lamarca foi o terceiro entre os seis filhos de Antônio e Gertrudes Lamarca, uma família modesta da zona norte carioca. Magro, com 1,75 m de altura, olhos e cabelos castanhos escuros, casou-se em 1959 com Maria Pavan, com quem teve dois filhos: César e Cláudia.
Aos 16 anos participou de algumas manifestações de rua durante a campanha nacionalista ‘O petróleo é nosso’. Tinha como livro de cabeceira a obra Guerra e Paz, de Tolstoi. Nessa época já havia tomado uma firme decisão: queria ser oficial do Exército Brasileiro. A carreira então projetada foi ganhando contornos definidos. Formou-se, em 1960, pela Escola Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), obtendo a patente de Capitão em 1967. Em entrevista concedida ao periódico chileno Punto Final, em abril de 1970, dizia Lamarca: ‘Sou um dos poucos oficiais brasileiros de origem operária. Estudei com sacrifício de meus pais e escolhi a carreira por entender que as Forças Armadas teriam condições de contribuir para o desenvolvimento e emancipação do meu País. Logo me desiludi.’
Em setembro de 1962, Lamarca foi recrutado para integrar o contingente militar da Organização das Nações Unidas. Seu destacamento permaneceu um ano na zona de Gaza, no Egito, perto do canal de Suez. Regressando ao Brasil, foi designado para servir num batalhão da Polícia do Exército, na cidade de Porto Alegre (RS), período em que, admirando a tentativa de resistência de Leonel Brizola ao golpe de 1964, solicitou inscrição junto ao Partido Comunista Brasileiro, que nunca chegou a se formalizar.
Mas foi em São Paulo, no quartel de Quitaúna, para onde pediu transferência em 1965, que Lamarca, estudando e discutindo com um grupo de companheiros as perspectivas de luta armada, fez sua opção revolucionária. Era preciso buscar ‘um caminho para a revolução brasileira’, que, nos termos da referida entrevista, supunha modificar a situação agrária e, por conseguinte, ‘romper com todo o sistema, baseado e construído exatamente sobre o atraso e a miséria de nossas regiões rurais’. Para tanto, era necessário construir ‘a primeira coluna guerrilheira, alternativa do poder das classes dominantes, embrião do futuro Exército Popular’, com a simultânea implantação de ‘guerrilhas irregulares em todos os pontos importantes do País.’ Influenciado pela revolução cubana e pelos movimentos guerrilheiros latino-americanos, Lamarca passou a defender as teses de Guevara e Régis Debray, teóricos do foco guerrilheiro: um pequeno grupo de homens bem treinados e bem armados, atuando em alguma área do campo, poderia desencadear a luta armada e despertar as massas para a insurreição.
Já estava organizado, em 1967, o grupo de Carlos Marighella, a Ação Libertadora Nacional (ALN), e havia também um grupo de militares expulsos das Forças Armadas que mantinham ligações com operários metalúrgicos de Osasco e outros setores proletários da região industrial de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano. Lamarca acompanhava com grande interesse o grupo de ex-sargentos que, inicialmente vinculado ao Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), uniu-se a um setor dissidente da Política Operária (POLOP) e deu origem à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Sua perspectiva, naquele momento, era a de entrar em contato com algum grupo da esquerda armada brasileira que o aceitasse como simples militante e oferecer, de imediato, a possibilidade de realizar uma ação de expropriação no quartel de Quitaúna.
‘Durante esses anos’ - prossegue Lamarca na mesma entrevista - ‘busquei contato com as organizações revolucionárias que propusessem um caminho para a revolução brasileira de acordo com as conclusões a que eu chegara’. As numerosas discussões então realizadas com Joaquim Câmara Ferreira, um dos principais dirigentes da ALN, levaram-no a optar por outra linha política, a da VPR. Passou a integrar a célula do IV Regimento de Infantaria.
Por iniciativa de Lamarca, preparou-se a ação de expropriação de armas e munições do quartel, com o imediato ingresso de toda a célula na guerrilha urbana. Em 24 de janeiro de 1969, Lamarca deixou Quitaúna com a carga de 63 fuzis FAL, algumas metralhadoras leves e muita munição. A idéia era seguir imediatamente para uma região onde pudesse preparar a guerrilha, o que o obrigou, de imediato, a separar-se da mulher e dos filhos, enviados para Cuba, via Itália, no mesmo dia de sua deserção.
Lamarca passou 10 meses trancado em ‘aparelhos’ na cidade de São Paulo, vivendo clandestinamente, até seguir para o Vale da Ribeira, com mais 16 militantes, a fim de realizar um treinamento em guerrilha. Lá permaneceu até maio de 1970, quando a região foi cercada por tropas do Exército e da Polícia Militar. Houve combates, mas Lamarca conseguiu romper o cerco ao lado de dois companheiros, após a retirada de vários outros. A ‘Operação Registro’, como a denominou o II Exército, durou 41 dias e resultou na prisão de quatro guerrilheiros.
De volta à cidade, continuou no comando e planejamento de ações armadas, para resgatar prisioneiros políticos e obter recursos para a sobrevivência da organização. Foram ao todo dois anos e oito meses de clandestinidade, nos quais reforçou seu caráter introspectivo e exercitou sistematicamente – com a mesma disciplina que emprestava ao treinamento físico – o hábito de ler e escrever. Nas sucessivas mudanças a que era obrigado por razões de segurança, de duas coisas nunca se separava: da arma e dos manuscritos, que intitulava provisoriamente de ‘Estudos militares’. Utilizando como nomes de guerra João, Renato, Cláudio, César, Cid e Cirilo, Lamarca não se limitou a traçar as estratégias de algumas das ações da VPR, mas participou diretamente do comando de seqüestros e expropriações.
Em abril de 1971, em discordância com a VPR, ingressou no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). No mês de junho, Lamarca foi para o sertão da Bahia, no município de Brotas de Macaúbas, com a finalidade de estabelecer uma base desta organização no interior.
Com a prisão em Salvador, em agosto, de um militante que conhecia seu paradeiro e a localização de um aparelho onde se encontrava a psicóloga paulista Iara Yavelberg, companheira de Lamarca desde 1969 (Iara suicidou-se com um tiro de revólver no dia 23), os órgãos de segurança iniciaram o cerco à região. A direção do MR-8 não cuidou de retirá-lo de lá, mesmo considerando que Lamarca não tinha poder de decisão, pois se recusara a participar da organização como dirigente.
Um tiroteio travado entre a polícia e os irmãos de José Campos Barreto, o Zequinha, que acompanhava Lamarca, obrigou-os a iniciar uma longa e penosa rota de fuga, de 28 de agosto a 17 de setembro, com um percurso de quase 300 quilômetros. Ao descansarem à sombra de uma baraúna, foram surpreendidos pela repressão. Lamarca estava desnutrido, asmático, provavelmente com a doença de Chagas.
A imprensa brasileira apresentou na ocasião duas versões sobre o diálogo que teria havido entre Lamarca e o ‘agente federal’. Para O Globo, foram apenas três frases: ‘Você é Lamarca?’ – ‘Sou o Capitão Carlos Lamarca.’ – ‘Era. Agora você vai ser defunto.’. A versão da maioria dos jornais foi um pouco mais longa: ‘Quem é você?’ – ’Carlos Lamarca.’ – ‘Sabe o que aconteceu com a Iara?’ – ‘Ela se suicidou em Salvador.’ – ‘Onde está sua mulher e seus filhos?’ – ‘Estão em Cuba.’ – ‘Você sabe que é um traidor da Pátria?’. Lamarca teria morrido sem responder a esta última pergunta.
O desfecho que, com pequenas variações, caracteriza a versão oficial da morte de Lamarca, reforçada mais tarde pela publicação do chamado Relatório Pajussara do Major Cerqueira e consagrada pelo filme de Sérgio Rezende, é inverossímil. Os que o caçaram pelos sertões da Bahia deveriam temer, na realidade, o vigor, a atilada inteligência, os reflexos precisos, o esmerado preparo militar do Capitão Lamarca, e jamais entrariam em sua linha de tiro. Limitaram-se a matar em silêncio um homem desfalecido.
Militar e guerrilheiro fluminense (23/10/1937-17/9/1971). Filho de carpinteiro, faz o ginásio em colégio de padres e ingressa na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre, em 1955. Dois anos depois é transferido para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), e declarado aspirante-a-oficial em 1960.Passa a servir no 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna, na cidade de Osasco (SP). É enviado para integrar as Forças de Paz da ONU na região de Gaza (Palestina), de onde volta 18 meses depois. Está ligado à 6a Companhia de Polícia do Exército, em Porto Alegre, quando ocorre ogolpe militar de 1964. Volta a Quitaúna em 1965 e é promovido a capitão em 1967.Faz contatos com facções de esquerda que defendem a luta armada para derrubar a ditadura e, em 1969, abandona o quartel para unir-se à organização clandestina Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), levando armas da guarnição para a guerrilha.Exímio atirador, torna-se um dos mais ativos militantes da oposição armada ao Regime Militar. Participa de diversas ações, como assaltos a bancos, e instala um foco guerrilheiro no Vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo, desarticulado em 1970 pelo Exército.
No mesmo ano comanda o seqüestro do embaixador suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, no Rio de Janeiro, e foge para a Bahia. Em 17 de setembro de 1971 é localizado na zona agreste baiana, no município de Ipupiara, e assassinado pelas forças da repressão.
semelhante a Che Guevara - em termos de visão política e etc...
O último combate de Che Guevara.
O movimento guerrilheiro da Bolívia recebeu ajuda financeira, entre outros, de Cuba, Sartre e Bertrand Russel, que recolheram dinheiro nos meios intelectuais. Após onze meses de luta e uma série de peripécies, as guerrilhas foram dizimadas pelos "Boinas Verdes Quíchuas", tropa
de elite do exército boliviano, treinada pelos Estados Unidos especialmente para esse fim.
Che foi ferido na tarde do dia 7 de outubro de 1967, à 13:30, aproximadamente. Atingido em várias partes do corpo, orientou seus captores na colocação de torniquetes para estancar as hemorragias. Em seguida, foi levado para Higueras, lugarejo a 12 km do estreito do Rio Yuro, onde aconteceu sua última batalha. Deixaram-no abandonado, sem nenhuma assistência, numa sala vazia da escola local. Após 24 horas e numerosas consultas chega a ordem: Che Guevara deve morrer.
Está morto o símbolo da guerrilha na América Latina, que se achou mais útil ao seu povo servindo à causa da Revolução Internacional que à da Medicina.
A extinta TV Tupi foi a única emissora de televisão no mundo a filmar o corpo de Che. A equipe estava em Valegrande, em virtude de problemas com o carro que a transportava, a caminho de Camiri, onde haveria o julgamento de Régis Debray, companheiro de Che que havia sido preso quando chegou a notícia da morte de Che. Filmaram a chegada de helicóptero, que trazia o corpo do guerrilheiro amarrado na sua parte exterior, o povo que o esperava e em seguida sua autópsia realizada num casebre que servia de necrotério ao Hospital Senhor de Malta, em Valegrande.
"Um Ernesto Che Guevara magro, de barba rala, olhos muito abertos e um sorriso estranho nos
lábios mortos", lia-se no Jornal da Tarde de 11 de outubro de 1967.
Logo após mostrarem o corpo aos poucos jornalistas que conseguiram chegar a tempo ao local, arrancaram-lhe o dedo indicador, não se sabe pra quê, e incineraram seu corpo, pois temiam um peregrinação ao seu túmulo.
Em 1971, Fidel Castro tentou trocá-lo por prisioneiros cubanos, mas a Bolívia se recusou a negociar.
"De Che nunca se poderá falar no passado." Fidel Castro.
A floresta amazônica e o seqüestro do carbono
o que vêm acontecendo e o que ainda pode acontecer:
Rio de Janeiro, agosto de 2.000 - Nos anos 70, cientistas americanos começaram a relacionar o aumento do nível de dióxido de carbono (CO2) lançado na atmosfera ao processo de aquecimento global do planeta, mas só foram levados a sério por alguns ambientalistas. Em 1988, entretanto, as Nações Unidas criaram o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática ( IPCC ), reunindo 2500 cientistas de todo o mundo, para estudar o problema. No seu primeiro relatório , em 1990 o IPPC previu que o nível de CO2 dobraria em 100 anos e que a temperatura global elevaria de 1,5o a 4,5o C, com a possibilidade do nível do mar subir, causando inundação de várias áreas litorâneas. As mudanças climáticas não parariam por aí. Os cientistas previam ainda grandes enchentes, secas devastadoras, tornados , ciclones , maremotos e proliferação de insetos. O efeito estufa passou a ser o novo vilão da história.
Sob condições de normalidade ambiental, o efeito estufa é um fenômeno essencialmente natural, formado por gases que permitem que a luz do Sol penetre na superfície terrestre, mas que bloqueiam a radiação do calor e o impedem de voltar ao espaço. Graças a isso, a temperatura média da superfície do globo é mantida em cerca de 15o C, criando condições que permitem a existência da vida tal como conhecemos. Se o efeito estufa não existisse a temperatura da Terra seria de 18o C abaixo de zero. Os principais gases da atmosfera que contribuem para o efeito estufa são o dióxido de carbono, produzido pela queima de combustíveis fósseis e de biomassa , incluindo as florestas, os clorofluorcarbonetos (CFCs), usados nos aerossóis e em aparelhos de refrigeração, o metano (CH4), encontrados em aterros de lixos e fossas sanitárias, o ozônio (O3) e o vapor de água. Os CFCs também reagem como ozônio toposférico, destruindo, dessa forma, a camada de ozônio .
Entre esses gases, o que tem causado maior polêmica é o CO2, pois sua concentração vem crescendo à taxa de 0,4 % ao ano. Na era pré-industrial, ela era de 280 ppm (partes por milhão)e hoje alcança cerca de 350 ppm. Estima-se que as atividades humanas estejam lançando anualmente 5,5 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera, através do uso de combustíveis fósseis como petróleo e carvão mineral e outros 1,2 bilhões de tonC pela queima de vegetação natural, principalmente florestas tropicais . Brasil e Indonésia lideram as queimadas de florestas.
Em 1992, durante a convenção Internacional de Mudança no Clima, realizada no Rio de Janeiro que ficou conhecida como ECO-92, os mais de 150 países participantes concordam que o problema era global, só que dado o princípio da responsabilidade comum mas diferenciada, os países deveriam ser tratados distintamente. A solução foi dividi-los em 2 blocos: países industrializados e países em desenvolvimento. Os países industrializados como os EUA e o Reino Unido, emitem grande quantidade de dióxido de carbono desde 1840, quando começou a revolução industrial. Atualmente os 32 países mais industrializados respondem por 70% dos gases emitidos no mundo, mas como o CP2 permanece n atmosfera por mais de em século, a responsabilidade deles chega a 90% dos gases acumulados nos últimos 150 anos .
Pela convenção de 92, os países industrializados deveriam, por razões históricas ( maior desenvolvimento e portanto maior contribuição acumulada de emissões de gases de efeito estufa ) fazer com que suas emissões no ano 2000 ficassem nos níveis de 1990. Em outras palavras deveriam dar os primeiros passos para a redução de emissões, posto que os países em desenvolvimento necessitariam aumentar as suas, para poder promover o crescimento econômico. Pressionado pelo lobby das indústrias de petróleo , carvão e de automóveis, o G-7 (grupo formados pelos 7 países mais ricos do mundo, capitaneados pelos EUA, Japão e Alemanha) sabotou o acordo ao exigir que os países em desenvolvimento também fossem submetidos às mesmas limitações previstas para eles. Claro que o grupo 77 (grupo de países em desenvolvimento, capitaneados por China, Índia e Brasil) não concordou com essa exigência e o acordo do Rio ficou apenas no plano das boas intenções .
Em 1995, em Berlim, na Alemanha, foi realizada a Primeira Conferência dos Países que Ratificaram a Convenção de Mudança do Clima , que ficou conhecida como Conferência das Partes (CoP-1). Ela tinha como meta fundamental finalizar as negociações para um protocolo, isto é, um detalhamento do acordo internacional, o qual deveria especificar metas claras e mensuráveis de redução das emissões de gases de efeito estufa nos países desenvolvidos. A CoP de Berlim determinou que esse protocolo fosse negociado e estabelecido até a Terceira Conferência, que seria realizada em Kyoto, Japão, em 97. A Segunda Conferência, realizada em Genebra, na Suiça, em 96, foi apenas para aprofundar o assunto e aparar eventuais arestas.
Na Conferência de Kyoto (CoP-3), que ficou conhecida como Rio+5, os países industrializados (Europa, Estados Unidos, Japão e algumas Repúblicas da ex-União Soviética) comprometeram-se estabilizar as emissões de gases aos níveis de 1990, mas somente entre 2010 e 2015. Ou seja, eles adiaram o problema por mais 20 anos. Além disso , para cumprir o acordo, esses países introduziram alguns mecanismos de flexibilização, como o estabelecimento de cotas de emissões, que poderão ser negociados em um mercado comum, através do qual países industrializados cujas emissões são maiores que as suas cotas , poderiam adquirir títulos um dos outros para cobrir contabilmente tais excessos .
Na Conferência também foi criado um instrumento denominado de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), pelo qual os países industrializados poderão investir em projetos de países em desenvolvimento que promovam, por exemplo, o sequestro de carbono da atmosfera, contabilizando tal fato como uma redução líquida de suas emissões. Isso inclui desde projetos de reflorestamentos de áreas degradadas em florestas tropicais (plantas em crescimento removem carbono da atmosfera, transformando-o em biomassa vegetal) até a substituição de usinas termelétricas a gás natural, que emitem uma quantidade menos de carbono . Em termos práticos, uma empresa americana pode investir em um projeto no Brasil que evite a emissão do carbono, e usar essa quantidade de carbono que deixou de ser emitida para "abater" do total que os EUA se comprometeram em reduzir. Batizada em Certificado de Redução das Emissões de Carbono, essa nova commodity terá um valor monetário que pode ser vendida aos países industrializados. O preço de cada tonelada de carbono que deixa de ser emitida não está estabelecido, mas alguns cientistas fizeram projeções que variam entre $ 10 a $ 100 dólares. Como os países industrializados terão de reduzir suas atuais emissões em cerca de 1 bilhão de toneladas, isso representa investimentos potenciais entre $ 10 bilhões e $ 100 bilhões de dólares. Por enquanto, isso tudo continua no plano das boas intenções. De 1992 até hoje, apenas Alemanha e Grã– Bretanha reduziram de fato as emissões de carbono. Todos os países, incluindo o Brasil, aumentaram as suas .
Cientistas afirmam que a floresta Amazônica seqüestra Carbono
Em 1987, cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mediu a fixação de carbono na floresta de terra firme, próxima de Manaus. Embora o período de dados aproveitáveis tenha sido curto, os resultados sugeriram que a floresta estava retirando da atmosfera cerca de 6 quilos de carbono por hectare ao dia. Analisando esses dados, Luis Carlos Baldicero Molion, da Universidade Federal de Alagoas , que não se deveria generalizar esse número para toda a Amazônia, mas se tal fosse feito somente a floresta brasileira, com áreas estimadas em 390 milhões de hectares, estaria seqüestrando cerca de 850 milhões de toneladas de carbono por ano .
Cientistas afirmam que a floresta Amazônica seqüestra Carbono
Em 1987, cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mediu a fixação de carbono na floresta de terra firme, próxima de Manaus. Embora o período de dados aproveitáveis tenha sido curto, os resultados sugeriram que a floresta estava retirando da atmosfera cerca de 6 quilos de carbono por hectare ao dia. Analisando esses dados, Luis Carlos Baldicero Molion, da Universidade Federal de Alagoas , que não se deveria generalizar esse número para toda a Amazônia, mas se tal fosse feito somente a floresta brasileira, com áreas estimadas em 390 milhões de hectares, estaria seqüestrando cerca de 850 milhões de toneladas de carbono por ano .
Em artigo publicado no número 5 da revista Imagens da Amazônia, em 1993, Molion colocava a seguinte questão: "Dos 6,7 bilhões de toneladas de carbono liberados pelas atividades humanas, estimava-se que cerca de 3.3 bilhões de TonC acumulavam-se na atmosfera e o restante era absorvido pelos oceanos. Porém, há três anos, uma equipe de Administração Nacional de Oceanos e da Atmosfera ( NOAA), dos EUA, demonstrou que a absorção de carbono pelos oceanos está sendo de apenas 1,5 bilhões de tonC, que somados aos 3,3 bi de tonC que ficam na atmosfera perfazem 4,8 bi tonC. Onde estaria perdidas as quase 2 bi tonC que faltam para fechar o balanço? Das duas uma: ou os novos dados oceânicos estão subestimando a absorção de carbono ou o carbono perdido está sendo absorvido pela vegetação terrestre, das quais fazem parte as florestas temperadas (que funcionam apenas parte do ano), e as florestas tropicais (que agem no ano inteiro por serem bem supridas de luz solar e água)."
No ano passado, em artigo publicado na revista Science, Oliver Phillips, da Universidade de Leeds (Reino Unido), concluiu que só as florestas da América do Sul, retém 0,62 bi tonC por ano, ou quase 40% das 1,9 bilhões de toneladas de carbono do qual não se sabia o destino. Sua equipe chegou a essa conclusão depois de realizar 600 mil medições do volume de madeira em árvores de florestas de 12 países . Em outro artigo na mesma revista, um grupo da Universidade de Princeton (EUA), utilizando modelos matemáticos, concluiu que as florestas do EUA e Canadá absorvem 1,7 bilhão de toneladas de carbono, ou 90% do carbono perdido. O curioso é que esse número é exatamente a quantidade de carbono emitida pelos 2 países com a queima de combustíveis. Como a conta não fecha, pois passa de 100%, conclui-se que um dos dois grupos está superestimando seus números. Fazendo pesquisas de campo no assunto há 19 anos, Niro Higuchi, do Instituto de Pesquisas da Amazônia (IMPA), chegou a conclusões mais modestas. Analisando somente a fixação de carbono na madeira (ou seja, o seqüestro do carbono da atmosfera e sua transformação em biomassa vegetal, realizado pelas árvores através da fotossíntese), Higuchi concluiu que a floresta de terra firme próxima de Manaus seqüestra anualmente uma tonelada de carbono por hectare. Experiências semelhantes realizadas no Peru, Colômbia, Venezuela e em florestas de Rondônia e do Pará apresentaram resultados semelhantes.
Partindo desses dados, a floresta Amazônica está seqüestrando anualmente 250 milhões de toneladas de gás carbônico. O trabalho do cientista brasileiro foi publicado na revista Science no 282, de outubro de 1998. Em uma simulação para constatar quanto, em valor monetário, o ser humano retira da natureza absolutamente de graça , alguns economistas chegaram à conclusão de que a regulação do ar pelas florestas está avaliada em $ 141 dólares por hectare por ano. Nesse caso, a dívida anual da humanidade apenas com a floresta Amazônica estaria estimada em mais de $ 35 bilhões de dólares.
O efeito estufa e o mecanismo de desenvolvimento limpo
O processo de aquecimento global do planeta – o efeito estufa – resultante do bloqueio da radiação de calor efetuado pelos gases, impedindo a sua volta para o espaço e aquecendo a superfície terrestre, tem como conseqüências mudanças climáticas e a previsão de aumento de temperatura média global da Terra em até 4,5o C nos próximos 100 anos.
Embora a maioria dos gases do efeito estufa seja também produzida pela natureza, o acréscimo derivado da atividade industrial conduz ( ou conduziu) ao desequilíbrio da natural sustentabilidade. A natureza produz gases de efeito estufa , mas nela existem também processos que os absorvem.
O conjunto é sustentável quando a velocidade na produção dos gases é menor do que a velocidade que a natureza age para compensar os danos decorrentes da sua permanência prolongada na atmosfera. O dióxido de carbono ( CO2 ) , em especial tem efeitos danosos para o meio ambiente, principalmente devido à velocidade crescente com que vêm produzidos para atender às necessidades do modelo consumista da vida atual. A concentração de CO2 vem crescendo a taxa de 0,4 % ao ano. Estima-se que as atividades humanas lancem 5,5 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera atualmente.
O conjunto é sustentável quando a velocidade na produção dos gases é menor do que a velocidade que a natureza age para compensar os danos decorrentes da sua permanência prolongada na atmosfera. O dióxido de carbono ( CO2 ) , em especial tem efeitos danosos para o meio ambiente, principalmente devido à velocidade crescente com que vêm produzidos para atender às necessidades do modelo consumista da vida atual. A concentração de CO2 vem crescendo a taxa de 0,4 % ao ano. Estima-se que as atividades humanas lancem 5,5 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera atualmente.
A mudança do clima e as suas causas são problemas que vem sendo estudados de maneira significativa há mais de duas décadas. Chefes de Estado de quase todos os países, preocupados com as alterações no clima do nosso planeta, reuniram-se no Rio de Janeiro em 1992. A Convenção Internacional para a Melhoria do Clima realizada durante a ECO 92 definiu que o problema é global, mas com responsabilidades diferenciadas nos países.
A Terceira Conferência dos Países que ratificaram a Convenção Internacional do Clima, realizada em Kyoto, Japão, em dezembro de 1997, procurou encontrar um mecanismo que conduzisse à retomada da sustentabilidade, tendo em vista os diferentes níveis de desenvolvimento em que se encontram os vários países do mundo. Foram atribuídas responsabilidades específicas e diferenciadas pelo efeito estufa, levando–se em conta que os países industrializados são os que mais produzem gases de efeito estufa, enquanto que os países em processo de desenvolvimento econômico apresentam uma quantidade maior de sumidouros naturais e emitem uma quantidade proporcional bem menor desses gases. Assim, foram consideradas duas vertentes: a primeira seria orientada para a redução da emissão dos gases de efeito estufa; a segunda seria o reforço da atuação da natureza através da neutralização natural dessas emissões em sumidouros naturais como as florestas.
Esse mecanismo visa estimular a participação de todos no esforço global da melhoria do clima, consubstanciado em um compromisso dos países industrializados em reduzir a emissão líquida dos gases de efeito estufa , quer através da redução de emissões brutas quer pelo aumento dos sumidouros. Na Conferência de Kyoto, foi criado o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL. Através dele, os países considerados ricos podem, através de compensações financeiras aos países em desenvolvimento, contabilizar créditos no casos em que as suas emissões de gases excedam as cotas pré-estabelecidas.
Esses recursos seriam destinados a investimentos em projetos de reflorestamento , por exemplo , que contribuem para reduzir a presença de carbono na atmosfera. Embora as florestas primárias não estejam incluídas nos projetos do MDL, só a floresta amazônica, segundo dados do INPE, retiram da atmosfera cerca de 6 quilos de carbono por hectare por dia, o que generalizado esse número para toda a Amazônia, significa que a floresta brasileira estaria seqüestrando 850 milhões de toneladas de carbono por ano. As reduções de emissões poderiam ser vendidas para outros países visando baixar os custos da implantação de tecnologias não poluentes. Os países compradores poderiam utilizar os certificados de redução de emissão para cumprir os seus compromissos.
Em Kyoto, portanto, foi estabelecido um critério econômico para estimular a necessária cooperação global do conjunto dos países. É possível, porém, que a natureza do problema seja diferente da natureza da solução proposta, que tem uma abordagem essencialmente econômica. O problema é de natureza ambiental predominantemente. A solução proposta é inadequada para para tornar factível as recomendações do Protocolo de Kyoto, pois não cria uma consciência global de que é necessário diminuir a emissão de gases de efeito estufa a níveis compatíveis com a capacidade da natureza de absorvê-los.
Sob a ótica financeira adotada pelos países industrializados, trocar os compromissos ambientais por títulos financeiros será fatalmente vantajoso para os mais ricos, que poderão, por exemplo, obter vantagens através de venda tecnologia usada nesse processo. Para cumprir os seus compromissos, os 32 países mais industrializados listados no anexo I do Protocolo de Kyoto, grandes poluidores poderiam pagar ao invés de reduzir as suas emissões e, assim, lançar mão do argumento que estariam contribuindo da mesma forma para a redução global de emissões. O MDL, sob esta ótica econômica, pode estimular, por outro lado , os países muito pobres a ganhar recursos financeiros sem esforço, vendendo as suas florestas como sumidouros, isto é, como se fossem seus bens particulares, recursos que na realidade, são da natureza do planeta e patrimônio comum da humanidade. A preocupação com os mecanismos que permitirão a compra e a venda de Certificados de Emissões de Carbono nas bolsas de valores vem crescendo, esperando-se a comercialização internacional de créditos de emissão de carbono - que terá uma demanda prevista de 20 bilhões de dólares anuais.
A Terceira Conferência dos Países que ratificaram a Convenção Internacional do Clima, realizada em Kyoto, Japão, em dezembro de 1997, procurou encontrar um mecanismo que conduzisse à retomada da sustentabilidade, tendo em vista os diferentes níveis de desenvolvimento em que se encontram os vários países do mundo. Foram atribuídas responsabilidades específicas e diferenciadas pelo efeito estufa, levando–se em conta que os países industrializados são os que mais produzem gases de efeito estufa, enquanto que os países em processo de desenvolvimento econômico apresentam uma quantidade maior de sumidouros naturais e emitem uma quantidade proporcional bem menor desses gases. Assim, foram consideradas duas vertentes: a primeira seria orientada para a redução da emissão dos gases de efeito estufa; a segunda seria o reforço da atuação da natureza através da neutralização natural dessas emissões em sumidouros naturais como as florestas.
Esse mecanismo visa estimular a participação de todos no esforço global da melhoria do clima, consubstanciado em um compromisso dos países industrializados em reduzir a emissão líquida dos gases de efeito estufa , quer através da redução de emissões brutas quer pelo aumento dos sumidouros. Na Conferência de Kyoto, foi criado o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL. Através dele, os países considerados ricos podem, através de compensações financeiras aos países em desenvolvimento, contabilizar créditos no casos em que as suas emissões de gases excedam as cotas pré-estabelecidas.
Esses recursos seriam destinados a investimentos em projetos de reflorestamento , por exemplo , que contribuem para reduzir a presença de carbono na atmosfera. Embora as florestas primárias não estejam incluídas nos projetos do MDL, só a floresta amazônica, segundo dados do INPE, retiram da atmosfera cerca de 6 quilos de carbono por hectare por dia, o que generalizado esse número para toda a Amazônia, significa que a floresta brasileira estaria seqüestrando 850 milhões de toneladas de carbono por ano. As reduções de emissões poderiam ser vendidas para outros países visando baixar os custos da implantação de tecnologias não poluentes. Os países compradores poderiam utilizar os certificados de redução de emissão para cumprir os seus compromissos.
Em Kyoto, portanto, foi estabelecido um critério econômico para estimular a necessária cooperação global do conjunto dos países. É possível, porém, que a natureza do problema seja diferente da natureza da solução proposta, que tem uma abordagem essencialmente econômica. O problema é de natureza ambiental predominantemente. A solução proposta é inadequada para para tornar factível as recomendações do Protocolo de Kyoto, pois não cria uma consciência global de que é necessário diminuir a emissão de gases de efeito estufa a níveis compatíveis com a capacidade da natureza de absorvê-los.
Sob a ótica financeira adotada pelos países industrializados, trocar os compromissos ambientais por títulos financeiros será fatalmente vantajoso para os mais ricos, que poderão, por exemplo, obter vantagens através de venda tecnologia usada nesse processo. Para cumprir os seus compromissos, os 32 países mais industrializados listados no anexo I do Protocolo de Kyoto, grandes poluidores poderiam pagar ao invés de reduzir as suas emissões e, assim, lançar mão do argumento que estariam contribuindo da mesma forma para a redução global de emissões. O MDL, sob esta ótica econômica, pode estimular, por outro lado , os países muito pobres a ganhar recursos financeiros sem esforço, vendendo as suas florestas como sumidouros, isto é, como se fossem seus bens particulares, recursos que na realidade, são da natureza do planeta e patrimônio comum da humanidade. A preocupação com os mecanismos que permitirão a compra e a venda de Certificados de Emissões de Carbono nas bolsas de valores vem crescendo, esperando-se a comercialização internacional de créditos de emissão de carbono - que terá uma demanda prevista de 20 bilhões de dólares anuais.
O que nos interessa, entretanto, são os mecanismos de desenvolvimento limpo, que possibilitarão recursos financeiros para projetos em países em desenvolvimento para uma efetiva redução das emissões de carbono. É preciso não perder de vista que o esforço de expansão econômica do Brasil de forma sustentável deve reforçar o perfil ambientalmente saudável da matriz energética brasileira, incluir novos e mais eficientes processos industriais, substituir combustíveis poluentes e usar bio-combustíveis renováveis ou biomassa vegetal, bem como as outras fontes de energia limpa como a solar, hidroeletricidade ou eólica ao lado de um amplo programa de revegetação de áreas historicamente degradadas. O Brasil, que teve papel importante na definição e negociação da proposta do MDL , deve se engajar nas determinações do Protocolo de Kyoto objetivando a melhoria do clima do planeta e não como uma mesquinha tentativa de "tomar uns trocados" dos países industrializados. Na esfera das relações econômicas as variáveis quantitativas habitualmente são utilizadas para espelhar a performance de produtos e serviços. Os problemas ambientais, no entanto, são infinitamente mais complexos. Portanto, tentar equacioná-los sob um viés quantitativo significa desprezar a abordagem qualitativa exigida pela sua natureza. Uma nova abordagem de avaliação, que melhor se presta a análise estratégica, deve-se considerar fatores diversos, inclusive culturais, que interagem intensamente.
Por que não desenvolver critérios e procedimentos para a elaboração de uma balanço cultural, tendo como referência a metodologia já conhecida do balanço ambiental? Somente através de uma sustentabilidade como um referencial ético , seria possível congregar esforços de povos com diferentes bases culturais para reduzir as emissões de gases de efeito estuda.
A abordagem economicista do problema do aquecimento climático preocupa-se excessivamente, por exemplo, com o fim das reservas de petróleo e justifica assim, a busca de tecnologias alternativas para substituí-lo. Mas por que não considerar a hipótese de que o petróleo não esteja no limite de exaustão de suas reservas e que o aumento insustentável da poluição e o aquecimento global poderão atingir níveis tão elevados quando nos aproximarmos do fim das reservas que o mundo correrás o risco de chegar ao fim antes de queimarmos a última grama de combustível fóssil?
Esta é a visão holística que estaremos contribuindo quando aprofundarmos a utilização do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo).
Por que não desenvolver critérios e procedimentos para a elaboração de uma balanço cultural, tendo como referência a metodologia já conhecida do balanço ambiental? Somente através de uma sustentabilidade como um referencial ético , seria possível congregar esforços de povos com diferentes bases culturais para reduzir as emissões de gases de efeito estuda.
A abordagem economicista do problema do aquecimento climático preocupa-se excessivamente, por exemplo, com o fim das reservas de petróleo e justifica assim, a busca de tecnologias alternativas para substituí-lo. Mas por que não considerar a hipótese de que o petróleo não esteja no limite de exaustão de suas reservas e que o aumento insustentável da poluição e o aquecimento global poderão atingir níveis tão elevados quando nos aproximarmos do fim das reservas que o mundo correrás o risco de chegar ao fim antes de queimarmos a última grama de combustível fóssil?
Esta é a visão holística que estaremos contribuindo quando aprofundarmos a utilização do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo).
MEIO AMBIENTE: INFLUÊNCIA DAS QUEIMADAS DA AMAZÔNIA SOBRE O EFEITO ESTUFA
INFLUÊNCIA DAS QUEIMADAS DA AMAZÔNIA SOBRE O EFEITO ESTUFA
O Aquecimento global é um fenômeno climático de larga extensão um aumento da temperatura média superficial global que vem acontecendo nos últimos 150 anos. Entretanto, o significado deste aumento de temperatura ainda é objecto de muitos debates entre os cientistas. Causas naturais ou antropogênicas (provocadas pelo homem) têm sido propostas para explicar o fenômeno.
Grande parte da comunidade científica acredita que o aumento de concentração de poluentes antropogênicos na atmosfera é causa do efeito estufa. A Terra recebe radiação emitida pelo Sol e devolve grande parte dela para o espaço através de radiação de calor. Os poluentes atmosféricos estão retendo uma parte dessa radiação que seria refletida para o espaço, em condições normais. Essa parte retida causa um importante aumento do aquecimento global.
A principal evidência do aquecimento global vem das medidas de temperatura de estações metereológicas em todo o globo desde 1860. Os dados com a correção dos efeitos de "ilhas urbanas" mostra que o aumento médio da temperatura foi de 0.6+-0.2 C durante o século XX. Os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000. (fonte IPCC).
Evidências secundárias são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, do aumento do nível global dos mares, do aumento das precipitações, da cobertura de nuvens, do El Niño e outros eventos extremos de mau tempo durante o século XX.
Por exemplo, dados de satélite mostram uma diminuição de 10% na área que é coberta por neve desde os anos 60. A área da cobertura de gelo no hemisfério norte na primavera e verão também diminuiu em cerca de 10% a 15% desde 1950 e houve retração das montanhas geladas em regiões não polares durante todo o século XX.(Fonte: IPCC).
Causas
Mudanças climáticas ocorrem devido a factores internos e externos. Factores internos são aqueles associados à complexidade derivada do facto dos sistemas climáticos serem sistemas caóticos não lineares. Fatores externos podem ser naturais ou antropogênicos.
O principal factor externo natural é a variabilidade da radiação solar, que depende dos ciclos solares e do facto de que a temperatura interna do sol vem aumentando. Fatores antropogênicos são aqueles da influência humana levando ao efeito estufa, o principal dos quais é a emissão de sulfatos que sobem até a estratosfera causando depleção da camada de ozônio (fonte:IPCC)
Cientistas concordam que factores internos e externos naturais podem ocasionar mudanças climáticas significativas. No último milénio dois importantes períodos de variação de temperatura ocorreram: um período quente conhecido como Período Medieval Quente e um frio conhecido como Pequena Idade do Gelo. A variação de temperatura desses períodos tem magnitude similar ao do atual aquecimento e acredita-se terem sido causados por fatores internos e externos somente. A Pequena Idade do Gelo é atribuída à redução da atividade solar e alguns cientistas concordam que o aquecimento terrestre observado desde 1860 é uma reversão natural da Pequena Idade do Gelo ( Fonte: The Skeptical Environmentalist).
Entretanto grandes quantidades de gases tem sido emitidos para a atmosfera desde que começou a revolução industrial, a partir de 1750 as emissões de dióxido de carbono aumentaram 31%, metano 151%, óxido de nitrogênio 17% e ozônio troposférico 36% (Fonte IPCC).
A maior parte destes gases são produzidos pela queima de combustíveis fósseis. Os cientistas pensam que a redução das áreas de florestas tropicais tem contribuído, assim como as florestas antigas, para o aumento do carbono. No entanto florestas novas nos Estados Unidos e na Rússia contribuem para absorver dióxido de carbono e desde 1990 a quantidade de carbono absorvido é maior que a quantidade liberada no desflorestamento. Nem todo dióxido de carbono emitido para a atmosfera se acumula nela, metade é absorvido pelos mares e florestas.
A real importância de cada causa proposta pode somente ser estabelecida pela quantificação exacta de cada factor envolvido. Factores internos e externos podem ser quantificados pela análise de simulações baseadas nos melhores modelos climáticos.
A influência de fatores externos pode ser comparada usando conceitos de força radiotiva. Uma força radiotiva positiva esquenta o planeta e uma negativa o esfria. Emissões antropogênicas de gases, depleção do ozônio estratosférico e radiação solar tem força radioativa positiva e aerosóis tem o seu uso como força radiotiva negativa.(fonte IPCC).
Modelos climáticos
Simulações climáticas mostram que o aquecimento ocorrido de 1910 até 1945 podem ser explicado somente por forças internas e naturais (variação da radiação solar) mas o aquecimento ocorrido de 1976 a 2000 necessita da emissão de gases antropogênicos causadores do efeito estufa para ser explicado. A maioria da comunidade científica está actualmente convencida de que uma proporção significativa do aquecimento global observado é causado pela emissão de gases causadores do efeito estufa emitidos pela actividade humana. (Fonte IPC)
Esta conclusão depende da exactidão dos modelos usados e da estimativa correcta dos factores externos. A maioria dos cientistas concorda que importantes características climáticas estejam sendo incorrectamente incorporadas nos modelos climáticos, mas eles também pensam que modelos melhores não mudariam a conclusão. (Source: IPCC)
Os críticos dizem que há falhas nos modelos e que factores externos não levados em consideração poderiam alterar as conclusões acima. Os críticos dizem que simulações climáticas são incapazes de modelar os efeitos resfriadores das partículas, ajustar a retroalimentação do vapor de água e levar em conta o papel das nuvens. Críticos também mostram que o Sol pode ter uma maior cota de responsabilidade no aquecimento global actualmente observado do que o aceite pela maioria da comunidade científica. Alguns efeitos solares indirectos podem ser muito importantes e não são levados em conta pelos modelos. Assim, a parte do aquecimento global causado pela acção humana poderia ser menor do que se pensa actualmente. (Fonte: The Skeptical Environmentalist)
Efeitos
Devido aos efeitos potenciais sobre a saúde humana, economia e meio ambiente o aquecimento global tem sido fonte de grande preocupação. Algumas importantes mudanças ambientais tem sido observadas e foram ligadas ao aquecimento global. Os exemplos de evidências secundárias citadas abaixo (diminuição da cobertura de gelo, aumento do nível do mar, mudanças dos padrões climáticos) são exemplos das consequências do aquecimento global que podem influenciar não somente as actividades humanas mas também os ecosistemas. Aumento da temperatura global permite que um ecosistema mude; algumas espécies podem ser forçadas a sair dos seus habitats (possibilidade de extinção) devido a mudanças nas condições enquanto outras podem espalhar-se, invadindo outros ecossistemas.
Entretanto, o aquecimento global também pode ter efeitos positivos, uma vez que aumentos de temperaturas e aumento de concentrações de CO2 podem aprimorar a produtividade do ecosistema. Observações de satélites mostram que a produtividade do hemisfério Norte aumentou desde 1982. Por outro lado é fato de que o total da quantidade de biomassa produzida não é necessáriamente muito boa, uma vez que a biodiversidade pode no silêncio diminuir ainda mais um pequeno número de espécie que esteja florescendo.
Uma outra causa grande preocupação é o aumento do nível do mar. O nível dos mares está aumentando em 0.01 a 0.02 metros por década e em alguns países insulares no Oceano Pacífico são expressivamente preocupantes, porque cedo eles estarão debaixo de água. O aquecimento global provoca subida dos mares principalmente por causa da expansão térmica da água dos oceanos, mas alguns cientistas estão preocupados que no futuro, a camada de gelo polar e os glaciares derretam. Em consequência haverá aumento do nível, em muitos metros. No momento, os cientistas não esperam um maior derretimento nos próximos 100 anos. (Fontes: IPCC para os dados e as publicações da grande imprensa para as percepções gerais de que as mudanças climáticas).
Como o clima fica mais quente, a evaporação aumenta. Isto provoca pesados aguaceiros e mais erosão. Muitas pessoas pensam que isto poderá causar resultados mais extremos no clima como progressivo aquecimento global.
O aquecimento global também pode apresentar efeitos menos óbvios. A Corrente do Atlântico Norte, por exemplo, provocada por diferenças entre a temperatura entre os mares. Aparentemente ela está diminuindo conforme as médias da temperatura global aumentam, isso significa que áreas como a Escandinávia e a Inglaterra que são aquecidas pela corrente devem apresentar climas mais frios a despeito do aumento do calor global.
Conseqüências
Aquecimento global pode trazer conseqüências graves para todo o planeta incluindo plantas, animais e seres humanos. A retenção de calor na superfície terrestre pode influenciar fortemente o regime de chuvas e secas em várias partes do planeta, afetando plantações e florestas.
Algumas florestas podem sofrer processo de desertificação, enquanto plantações podem ser destruídas por alagamentos. O resultado disso é o movimento migratório de animais e seres humanos, escassez de comida, aumento do risco de extinção de várias espécies animais e vegetais, e aumento do número de mortes por desnutrição.
Outro grande risco do aquecimento global é o derretimento das placas de gelo da Antártica. Esse derretimento já vinha acontecendo há milhares de anos, por um lento processo natural. Mas a ação do homem e o efeito estufa aceleraram o processo e o tornaram imprevisível.
A calota de gelo ocidental da Antártida está derretendo a uma velocidade de 250 km cúbicos por ano, elevando o nível dos oceanos em 0,2 milímetro a cada 12 meses. O degelo desta calota pode fazer os oceanos subirem até 4,9 metros, cobrindo vastas áreas litorâneas pelo mundo e ilhas inteiras. Os resultados também são escassez de comida, disseminação de doenças e mortes.
O aquecimento global também acarreta mudanças climáticas, o que é responsável por 150 mil mortes a cada ano em todo o mundo. Só no ano passado, uma onda de calor que atingiu a Europa no verão matou pelo menos 20 mil pessoas. Os países tropicais e pobres são os mais vulneráveis a tais efeitos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) atribui à modificação do clima 2,4% dos casos de diarréia e 2% dos de malária em todo o mundo. Esse quadro pode ficar ainda mais sombrio: alguns cientistas alertam que o aquecimento global pode se agravar nas próximas décadas e a OMS calcula que para o ano de 2030 as alterações climáticas poderão causar 300 mil mortes por ano.
Algumas florestas podem sofrer processo de desertificação, enquanto plantações podem ser destruídas por alagamentos. O resultado disso é o movimento migratório de animais e seres humanos, escassez de comida, aumento do risco de extinção de várias espécies animais e vegetais, e aumento do número de mortes por desnutrição.
Outro grande risco do aquecimento global é o derretimento das placas de gelo da Antártica. Esse derretimento já vinha acontecendo há milhares de anos, por um lento processo natural. Mas a ação do homem e o efeito estufa aceleraram o processo e o tornaram imprevisível.
A calota de gelo ocidental da Antártida está derretendo a uma velocidade de 250 km cúbicos por ano, elevando o nível dos oceanos em 0,2 milímetro a cada 12 meses. O degelo desta calota pode fazer os oceanos subirem até 4,9 metros, cobrindo vastas áreas litorâneas pelo mundo e ilhas inteiras. Os resultados também são escassez de comida, disseminação de doenças e mortes.
O aquecimento global também acarreta mudanças climáticas, o que é responsável por 150 mil mortes a cada ano em todo o mundo. Só no ano passado, uma onda de calor que atingiu a Europa no verão matou pelo menos 20 mil pessoas. Os países tropicais e pobres são os mais vulneráveis a tais efeitos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) atribui à modificação do clima 2,4% dos casos de diarréia e 2% dos de malária em todo o mundo. Esse quadro pode ficar ainda mais sombrio: alguns cientistas alertam que o aquecimento global pode se agravar nas próximas décadas e a OMS calcula que para o ano de 2030 as alterações climáticas poderão causar 300 mil mortes por ano.
FAZ BEM SABER:
CHE GUEVARA E FIDEL ...As experiências na Guatemala são importantes na construção de sua consciência política. Lá Che Guevara auto define-se um revolucionário e posiciona-se contra o imperialismo americano. Nesse meio tempo, Che conhece Hilda Gadea, com quem se casa e de cuja união nasce sua primeira filha, Hildita. Em 1954, no México através de Ñico López, um amigo das lutas na Guatemala, ele conhece Raúl Castro que logo o apresentaria a seu irmão mais velho, Fidel Castro. Esse organiza e lidera o movimento guerrilheiro 26 de Julho, ou M26, em referência ao assalto ao Quartel Moncada, onde em 26 de julho de 1953, Fidel Castro liderou uma ação militar na qual tentava tomar a principal prisão de presos políticos em Santiago. Guevara faz parte dos 72 homens que partem para Cuba em 1956 com Fidel Castro e dos quais só 12 sobreviveriam. É durante esse ataque que Che, após ser duramente espancado pelos rebeldes, larga a maleta médica por uma caixa de munição de um companheiro abatido, um momento que tempos depois ele iria definir como o marco divisor na sua transição de doutor a revolucionário. Che em 1958 Em seguida eles se instalam nas montanhas da Sierra Maestra de onde iniciam a luta contra o presidente cubano Fulgencio Batista, que era apoiado pelos Estados Unidos. Os rebeldes lentamente se fortalecem, aumentando seu armamento e angariando apoio e o recrutamento de muitos camponeses, intelectuais e trabalhadores urbanos. Guevara toma a responsabilidade de médico revolucionário, mas, em pouco tempo, foi se tornando naturalmente líder e seguido pelos rebeldes. Após a vitória dos revolucionários em 1959, Batista exila-se em São Domingos e instaura-se um novo regime em Cuba, de orientação socialista. Mas teria sido a hostilidade dos Estados Unidos que levou ao seu alinhamento com a URSS. (“Eu tinha a maior vontade de entender-me com os Estados Unidos. Até fui lá, falei, expliquei nossos objetivos. (…) Mas os bombardeios, por aviões americanos, de nossas fazendas açucareiras, das nossas cidades; as ameaças de invasão por tropas mercenárias e a ameaça de sanções econômicas constituem agressões à nossa soberania nacional, ao nosso povo”.) (Fidel Castro, a Louis Wiznitzer, enviado especial do Globo a Havana, em entrevista publicada em 24 de março de 1960). Governo Cubano Che Guevara em Moscou Guevara, então braço direito de Fidel, torna-se um dos principais dirigentes do novo estado cubano: Embaixador, Presidente do Banco Nacional, Ministro da Indústria. Che esteve oficialmente no Brasil em agosto de 1961, quando foi condecorado pelo então presidente, Jânio Quadros, com a Grã Cruz da ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. A outorga dessa condecoração foi o desfecho de uma articulação diplomática, iniciada pelo Núncio apostólico no Brasil, monsenhor Armando Lombardi, seguindo às instruções da Santa Sé, solicitando a ajuda do governo do Brasil para fazer cessar a perseguição movida contra a Igreja Católica em Cuba. Jânio Quadros solicitou a mediação de Che junto a Fidel. Guevara atendeu ao pedido de Jânio e concordou em ser o intermediário do apelo do Vaticano junto ao governo cubano. Meses antes alertara Fidel da existência da "operação Magusto", a invasão da Baía dos Porcos tentada por 1.297 anticastristas exilados, oriundos da ditadura de Fulgêncio Batista. A "operação Magusto" foi uma operação militar planejada pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), autorizada pelo presidente John Kennedy, que ocorreu em 17 de abril de 1961 e foi derrotada três dias depois. Em 1° de maio (ou 16 de abril, segundo outras fontes) Fidel Castro declarou que Cuba se tornaria um país socialista, e buscou apoio militar de Moscou para se defender das tentativas de invasões americanas e de ameaças representadas por planos dos militares norte-americanos, do tipo da "Operação Mongoose", autorizada em 4 de novembro de 1961 por Kennedy, ou da "Operação Northwoods" de 1962. Em 1° de dezembro de 1961 Fidel Castro declarou que a revolução cubana se tornara marxista-leninista.. Em 8 de agosto de 1961 Che discursou numa reunião da OEA em Punta del Este. Em 1964 Ernesto Che Guevara representou oficialmente Cuba nas Nações Unidas, tendo pronunciado um discurso por ocasião da sua 19ª Assembléia Geral, em 11 de dezembro de 1964. Participou do Seminário Econômico de Solidariedade Afro-asiática entre 22 e 27 de fevereiro de 1965 em Alger, quando criticou publicamente, pela primeira vez, a política externa da União Soviética. Nesse mesmo ano, Guevara, deixa Cuba para propagar os ideais da revolução cubana pelo mundo com ajuda de voluntários de vários países latino americanos, contra os conselhos dos soviéticos mas com o apoio de Fidel Castro. Em 4 de outubro de 1965 Fidel Castro anunciou que Ernesto Che Guevara deixara a ilha para lutar contra o imperialismo. Com Mao Tse-tung em 1960 Retorno à guerrilha e morte Ele parte primeiramente para o Congo, na África, com um grupo de 100 cubanos "internacionalistas", tendo chegado em abril de 1965. Comandante supremo da operação, atuou com o codinome Tatu (do suaíle), e encontrou-se com Kabila. Por seu total desconhecimento da região, dos seus costumes, das suas crenças religiosas, das relações inter-tribais e da psicologia de seus habitantes, o "delírio africano" de Che resultou numa total decepção. Em seguida parte para a Bolívia onde tenta estabelecer uma base guerrilheira para lutar pela unificação dos países da América Latina e de onde pretendia invadir a Argentina. Enfrenta dificuldades com o terreno desconhecido, não recebe o apoio do partido comunista boliviano e não consegue conquistar a confiança dos poucos camponeses que moravam na região que escolheu para suas operações, quase desabitada. Nem Che nem nenhum de seus companheiros falavam a língua indígena local. É cercado e capturado em 8 de outubro de 1967 e executado no dia seguinte pelo soldado boliviano Mário Terán, a mando do Coronel Zenteno Anaya, na aldeia de La Higuera. Os boatos que cercaram a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade real do guerrilheiro, que se utilizou de uma miriade de documentos falsos, de vários países, para entrar e viver na Bolívia. A confusão estabelecida em torno do caso culminou no desaparecimento do seu corpo, que só foi encontrado trinta anos depois. Em 1997 seus restos mortais foram encontrados por pesquisadores numa vala comum, junto a outras ossadas, na cidade de Vallegrande, a cerca de 50 km de onde ocorreu a sua execução. Sua ossada estava sem as mãos, que foram amputadas (para servir como troféu) logo após a sua morte. Seus restos mortais foram transferidos para Cuba, onde em 17 de outubro deste mesmo ano são enterrados com honras de Chefe de Estado, na presença de membros da sua família e do líder cubano e antigo companheiro de revolução Fidel Castro. O homem e o mito Monumento em Cuba baseado na foto Guerrillero heroico de Alberto Korda A reprodução da imagem de Che Guevara em camisetas e pôsteres geralmente utiliza uma famosa pintura feita pelo artista plástico irlandês radicado nos Estados Unidos Jim Fitzpatrick a partir da foto tirada por Alberto Diaz Gutiérrez, conhecido profissionalmente como Alberto Korda, divulgada pela revista Paris Match[13] em 1967, pouco antes de sua morte, que se tornou a segunda imagem mais difundida da era contemporânea, atrás apenas de uma imagem de Jesus Cristo. A revista norte-americana Time incluiu Ernesto Che Guevara na sua lista das 100 personalidades mais importantes do século XX, na secção "Líderes e Revolucionários". Na Argentina foi eleito o maior político argentino do século XX, obtendo 59,8% dos votos, em enquete feita por TV. A imagem do Che é mítica em toda a América Latina. Na localidade onde foi assassinado em 1967, ergue-se atualmente uma estátua em sua homenagem. Ironicamente passou a ser conhecido na região como "San Ernesto de La Higuera" e a ser cultuado como santo pela população local, que o ignorara quando esteve vivo dentre eles. Sua imagem mítica, capturada por Korda e imortalizada no desenho de Fitzpatrick, surge nos locais os mais diversos: em anúncios do banco de investimentos luxemburguês Dexia, num retrato feito com folhas de coca meticulosamente sobrepostas exibido no gabinete do presidente Evo Morales, em biquines da Companhia Marítima desfilados por Gisele Bündchen, em tatuagens no braço de Maradona e no peito de Mike Tyson. O regime cubano ainda hoje homenageia Che Guevara, onde é objeto de veneração quase religiosa; as crianças nas escolas cantam: "Pioneros por el comunismo, Seremos como el Che". Seu mausoléu em Santa Clara atrai, todos os anos, milhares de visitantes, muitos dos quais estrangeiros. Estátua em bronze em Rosário Para alguns historiadores essa glorificação messiânica é injustificável. Para eles, longe de ser um humanista, Che Guevara aprovou pessoalmente centenas de execuções sumárias pelo tribunal revolucionário de Havana. Como procurador-geral, foi comandante da prisão Fortaleza de San Carlos de La Cabaña, onde, nos primeiros meses da revolução, ocorreram 120 fuzilamentos. Ele mesmo escreveu: "As execuções são uma necessidade para o Povo de Cuba, e um dever imposto por esse mesmo Povo.". Os "campos de trabalho coletivos", na península de Guanaha (campos cubanos de trabalhos forçados) foram uma criação sua. O próprio Che Guevara nunca fez segredo de que acreditava ser a luta armada a solução para os problemas que denunciava: " Como poderíamos contemplar o futuro luminoso e próximo se dois, três, muitos Vietnams desabrochassem na superfície do globo, com sua cota de mortes e suas tragédias imensas, com seu heroismo cotidiano, com seus golpes repetidos ao imperialismo, com a obrigação que lhe traz de dispersar suas forças, sob o ódio crescente dos povos do mundo !" Mas se por um lado advogava a violência da luta armada, como meio de atingir seus objetivos, por outro Che manifestava preocupação pela ética. Numa famosa entrevista com o jornalista Jean Daniel (L'Express, 25 de Julho de 1963, p. 9.), Che dizia: "O socialismo económico sem a moral comunista não me interessa. Lutamos contra a miséria, mas ao mesmo tempo contra a alienação. (…) Se o comunismo passa por alto os factos da consciência, poderá ser um método de repartição, mas já não é uma moral revolucionária". Sobre a liberdade de pensamento disse: "Não é possível destruir uma opinião com a força, porque isso bloqueia todo o desenvolvimento livre da inteligência."(Che Guevara, "Il piano i gli uomini", Il Manifesto n° 7, deciembre del 1969, p. 37.). Em seu livro Socialism and Man in Cuba, expôs seu ideais de revolucionário: "Deixe dizer-lhe, com o risco de parecer ridículo, que o revolucionário verdadeiro está guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar num revolucionário autêntico sem esta qualidade. Quiçá seja um dos grandes dramas do dirigente(…) Nessas condições, há que se ter uma grande dose de humanidade, uma grande dose de sentido da justiça e de verdade para não caírmos em extremos dogmáticos, em escolasticismos frios, no isolamento das massas. Todos os dias temos que lutar para que esse amor à humanidade vivente se transforme em fatos concretos, em atos que sirvam de exemplo, de mobilização. A trilha de Che - empreendimento turístico Com um investimento de 610 mil dólares e um projeto trianual - que foi parcialmente financiado pela governo da Inglaterra através do seu Departamento de Desenvolvimento Internacional - o governo boliviano procura incentivar o turismo na região por onde Che Guevara passou, e onde encontrou sua morte. Para isso foi criada uma trilha turística, a "trilha de Che", que seguindo suas pegadas, inicia-se, por rodovia, em Santa Cruz de la Sierra, atravessa a localidade inca de Samaipata, e prossegue pelos vilarejos Vallegrande e La Higuera. Essa trilha turística busca levar o turismo internacional de massas a esse distante rincão das selvas bolívianas, aproveitando o mito Che Guevara. Filme biográfico Diarios de Motocicleta (2004) Na Sierra Maestra com Raúl Castro Em 2004 foi apresentado um filme, Diarios de Motocicleta, dirigido Walter Salles, nos gêneros aventura e drama biográfico, cujo roteiro foi baseado nos livros de Ernesto "Che" Guevara de La Serna (Notas de viaje) e Alberto Granado (Con el Che por America), contando a aventura desses então dois colegas universitários na travessia do continente sul-americano numa velha motocicleta Norton 500 cc, fabricada em 1939 e apelidada de La Poderosa II, numa viagem que se estendeu de Buenos Aires a Caracas. Filme épico Che apresentado no 61° Festival de Cannes Em 2008 foi exibido um filme-acontecimento do 61º Festival de Cannes, intitulado "Che", de Steven Soderbergh, com 4h28 de duração, em duas partes Na primeira metade descreve a participação de Che na Revolução Cubana (1959) e avança até o discurso do guerrilheiro na ONU, em 1964. A segunda parte de "Che" se concentra nos 341 dias que ele passou na selva boliviana, treinando guerrilheiros, até sua morte, em outubro de 1967. "… há muitos aspectos da vida de Che que as pessoas não conhecem. Se contássemos o que ocorreu na Bolívia sem mostrar o que houve antes, não haveria o contexto para entender a história." disse Soderbergh. Sobre os que desaprovam o fato do filme "Che" retratar um perfil positivo do guerrilheiro e favorável às suas ações, Soderbergh afirmou: "Conheço bem a argumentação dos que são anti-Che e sei que qualquer quantidade de barbaridades que incluíssemos nesse filme não seria suficiente para satisfazê-los".FIDEL:“ Conheci-o durante noites mexicanas frias, e lembro que nossa primeira discussão foi sobre política mundial. Poucas horas depois – de madrugada – eu já era um dos futuros expedicionários. Na realidade, depois da experiência vivida em minhas caminhadas por toda a América latina e do arremate na Guatemala, não era difícil incitar-me a participar de qualquer revolução contra um tirano, mas Fidel impressionou-me como homem extraordinário. As coisas mais impossíveis, ele encarava e resolvia [...] partilhei do seu otimismo. Era hora de fazer, de combater, de planejar. De deixar de chorar para começar a lutar.”Ernesto Che Guevara * 1928 † 1967
CHE GUEVARA E FIDEL ...As experiências na Guatemala são importantes na construção de sua consciência política. Lá Che Guevara auto define-se um revolucionário e posiciona-se contra o imperialismo americano. Nesse meio tempo, Che conhece Hilda Gadea, com quem se casa e de cuja união nasce sua primeira filha, Hildita. Em 1954, no México através de Ñico López, um amigo das lutas na Guatemala, ele conhece Raúl Castro que logo o apresentaria a seu irmão mais velho, Fidel Castro. Esse organiza e lidera o movimento guerrilheiro 26 de Julho, ou M26, em referência ao assalto ao Quartel Moncada, onde em 26 de julho de 1953, Fidel Castro liderou uma ação militar na qual tentava tomar a principal prisão de presos políticos em Santiago. Guevara faz parte dos 72 homens que partem para Cuba em 1956 com Fidel Castro e dos quais só 12 sobreviveriam. É durante esse ataque que Che, após ser duramente espancado pelos rebeldes, larga a maleta médica por uma caixa de munição de um companheiro abatido, um momento que tempos depois ele iria definir como o marco divisor na sua transição de doutor a revolucionário. Che em 1958 Em seguida eles se instalam nas montanhas da Sierra Maestra de onde iniciam a luta contra o presidente cubano Fulgencio Batista, que era apoiado pelos Estados Unidos. Os rebeldes lentamente se fortalecem, aumentando seu armamento e angariando apoio e o recrutamento de muitos camponeses, intelectuais e trabalhadores urbanos. Guevara toma a responsabilidade de médico revolucionário, mas, em pouco tempo, foi se tornando naturalmente líder e seguido pelos rebeldes. Após a vitória dos revolucionários em 1959, Batista exila-se em São Domingos e instaura-se um novo regime em Cuba, de orientação socialista. Mas teria sido a hostilidade dos Estados Unidos que levou ao seu alinhamento com a URSS. (“Eu tinha a maior vontade de entender-me com os Estados Unidos. Até fui lá, falei, expliquei nossos objetivos. (…) Mas os bombardeios, por aviões americanos, de nossas fazendas açucareiras, das nossas cidades; as ameaças de invasão por tropas mercenárias e a ameaça de sanções econômicas constituem agressões à nossa soberania nacional, ao nosso povo”.) (Fidel Castro, a Louis Wiznitzer, enviado especial do Globo a Havana, em entrevista publicada em 24 de março de 1960). Governo Cubano Che Guevara em Moscou Guevara, então braço direito de Fidel, torna-se um dos principais dirigentes do novo estado cubano: Embaixador, Presidente do Banco Nacional, Ministro da Indústria. Che esteve oficialmente no Brasil em agosto de 1961, quando foi condecorado pelo então presidente, Jânio Quadros, com a Grã Cruz da ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. A outorga dessa condecoração foi o desfecho de uma articulação diplomática, iniciada pelo Núncio apostólico no Brasil, monsenhor Armando Lombardi, seguindo às instruções da Santa Sé, solicitando a ajuda do governo do Brasil para fazer cessar a perseguição movida contra a Igreja Católica em Cuba. Jânio Quadros solicitou a mediação de Che junto a Fidel. Guevara atendeu ao pedido de Jânio e concordou em ser o intermediário do apelo do Vaticano junto ao governo cubano. Meses antes alertara Fidel da existência da "operação Magusto", a invasão da Baía dos Porcos tentada por 1.297 anticastristas exilados, oriundos da ditadura de Fulgêncio Batista. A "operação Magusto" foi uma operação militar planejada pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), autorizada pelo presidente John Kennedy, que ocorreu em 17 de abril de 1961 e foi derrotada três dias depois. Em 1° de maio (ou 16 de abril, segundo outras fontes) Fidel Castro declarou que Cuba se tornaria um país socialista, e buscou apoio militar de Moscou para se defender das tentativas de invasões americanas e de ameaças representadas por planos dos militares norte-americanos, do tipo da "Operação Mongoose", autorizada em 4 de novembro de 1961 por Kennedy, ou da "Operação Northwoods" de 1962. Em 1° de dezembro de 1961 Fidel Castro declarou que a revolução cubana se tornara marxista-leninista.. Em 8 de agosto de 1961 Che discursou numa reunião da OEA em Punta del Este. Em 1964 Ernesto Che Guevara representou oficialmente Cuba nas Nações Unidas, tendo pronunciado um discurso por ocasião da sua 19ª Assembléia Geral, em 11 de dezembro de 1964. Participou do Seminário Econômico de Solidariedade Afro-asiática entre 22 e 27 de fevereiro de 1965 em Alger, quando criticou publicamente, pela primeira vez, a política externa da União Soviética. Nesse mesmo ano, Guevara, deixa Cuba para propagar os ideais da revolução cubana pelo mundo com ajuda de voluntários de vários países latino americanos, contra os conselhos dos soviéticos mas com o apoio de Fidel Castro. Em 4 de outubro de 1965 Fidel Castro anunciou que Ernesto Che Guevara deixara a ilha para lutar contra o imperialismo. Com Mao Tse-tung em 1960 Retorno à guerrilha e morte Ele parte primeiramente para o Congo, na África, com um grupo de 100 cubanos "internacionalistas", tendo chegado em abril de 1965. Comandante supremo da operação, atuou com o codinome Tatu (do suaíle), e encontrou-se com Kabila. Por seu total desconhecimento da região, dos seus costumes, das suas crenças religiosas, das relações inter-tribais e da psicologia de seus habitantes, o "delírio africano" de Che resultou numa total decepção. Em seguida parte para a Bolívia onde tenta estabelecer uma base guerrilheira para lutar pela unificação dos países da América Latina e de onde pretendia invadir a Argentina. Enfrenta dificuldades com o terreno desconhecido, não recebe o apoio do partido comunista boliviano e não consegue conquistar a confiança dos poucos camponeses que moravam na região que escolheu para suas operações, quase desabitada. Nem Che nem nenhum de seus companheiros falavam a língua indígena local. É cercado e capturado em 8 de outubro de 1967 e executado no dia seguinte pelo soldado boliviano Mário Terán, a mando do Coronel Zenteno Anaya, na aldeia de La Higuera. Os boatos que cercaram a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade real do guerrilheiro, que se utilizou de uma miriade de documentos falsos, de vários países, para entrar e viver na Bolívia. A confusão estabelecida em torno do caso culminou no desaparecimento do seu corpo, que só foi encontrado trinta anos depois. Em 1997 seus restos mortais foram encontrados por pesquisadores numa vala comum, junto a outras ossadas, na cidade de Vallegrande, a cerca de 50 km de onde ocorreu a sua execução. Sua ossada estava sem as mãos, que foram amputadas (para servir como troféu) logo após a sua morte. Seus restos mortais foram transferidos para Cuba, onde em 17 de outubro deste mesmo ano são enterrados com honras de Chefe de Estado, na presença de membros da sua família e do líder cubano e antigo companheiro de revolução Fidel Castro. O homem e o mito Monumento em Cuba baseado na foto Guerrillero heroico de Alberto Korda A reprodução da imagem de Che Guevara em camisetas e pôsteres geralmente utiliza uma famosa pintura feita pelo artista plástico irlandês radicado nos Estados Unidos Jim Fitzpatrick a partir da foto tirada por Alberto Diaz Gutiérrez, conhecido profissionalmente como Alberto Korda, divulgada pela revista Paris Match[13] em 1967, pouco antes de sua morte, que se tornou a segunda imagem mais difundida da era contemporânea, atrás apenas de uma imagem de Jesus Cristo. A revista norte-americana Time incluiu Ernesto Che Guevara na sua lista das 100 personalidades mais importantes do século XX, na secção "Líderes e Revolucionários". Na Argentina foi eleito o maior político argentino do século XX, obtendo 59,8% dos votos, em enquete feita por TV. A imagem do Che é mítica em toda a América Latina. Na localidade onde foi assassinado em 1967, ergue-se atualmente uma estátua em sua homenagem. Ironicamente passou a ser conhecido na região como "San Ernesto de La Higuera" e a ser cultuado como santo pela população local, que o ignorara quando esteve vivo dentre eles. Sua imagem mítica, capturada por Korda e imortalizada no desenho de Fitzpatrick, surge nos locais os mais diversos: em anúncios do banco de investimentos luxemburguês Dexia, num retrato feito com folhas de coca meticulosamente sobrepostas exibido no gabinete do presidente Evo Morales, em biquines da Companhia Marítima desfilados por Gisele Bündchen, em tatuagens no braço de Maradona e no peito de Mike Tyson. O regime cubano ainda hoje homenageia Che Guevara, onde é objeto de veneração quase religiosa; as crianças nas escolas cantam: "Pioneros por el comunismo, Seremos como el Che". Seu mausoléu em Santa Clara atrai, todos os anos, milhares de visitantes, muitos dos quais estrangeiros. Estátua em bronze em Rosário Para alguns historiadores essa glorificação messiânica é injustificável. Para eles, longe de ser um humanista, Che Guevara aprovou pessoalmente centenas de execuções sumárias pelo tribunal revolucionário de Havana. Como procurador-geral, foi comandante da prisão Fortaleza de San Carlos de La Cabaña, onde, nos primeiros meses da revolução, ocorreram 120 fuzilamentos. Ele mesmo escreveu: "As execuções são uma necessidade para o Povo de Cuba, e um dever imposto por esse mesmo Povo.". Os "campos de trabalho coletivos", na península de Guanaha (campos cubanos de trabalhos forçados) foram uma criação sua. O próprio Che Guevara nunca fez segredo de que acreditava ser a luta armada a solução para os problemas que denunciava: " Como poderíamos contemplar o futuro luminoso e próximo se dois, três, muitos Vietnams desabrochassem na superfície do globo, com sua cota de mortes e suas tragédias imensas, com seu heroismo cotidiano, com seus golpes repetidos ao imperialismo, com a obrigação que lhe traz de dispersar suas forças, sob o ódio crescente dos povos do mundo !" Mas se por um lado advogava a violência da luta armada, como meio de atingir seus objetivos, por outro Che manifestava preocupação pela ética. Numa famosa entrevista com o jornalista Jean Daniel (L'Express, 25 de Julho de 1963, p. 9.), Che dizia: "O socialismo económico sem a moral comunista não me interessa. Lutamos contra a miséria, mas ao mesmo tempo contra a alienação. (…) Se o comunismo passa por alto os factos da consciência, poderá ser um método de repartição, mas já não é uma moral revolucionária". Sobre a liberdade de pensamento disse: "Não é possível destruir uma opinião com a força, porque isso bloqueia todo o desenvolvimento livre da inteligência."(Che Guevara, "Il piano i gli uomini", Il Manifesto n° 7, deciembre del 1969, p. 37.). Em seu livro Socialism and Man in Cuba, expôs seu ideais de revolucionário: "Deixe dizer-lhe, com o risco de parecer ridículo, que o revolucionário verdadeiro está guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar num revolucionário autêntico sem esta qualidade. Quiçá seja um dos grandes dramas do dirigente(…) Nessas condições, há que se ter uma grande dose de humanidade, uma grande dose de sentido da justiça e de verdade para não caírmos em extremos dogmáticos, em escolasticismos frios, no isolamento das massas. Todos os dias temos que lutar para que esse amor à humanidade vivente se transforme em fatos concretos, em atos que sirvam de exemplo, de mobilização. A trilha de Che - empreendimento turístico Com um investimento de 610 mil dólares e um projeto trianual - que foi parcialmente financiado pela governo da Inglaterra através do seu Departamento de Desenvolvimento Internacional - o governo boliviano procura incentivar o turismo na região por onde Che Guevara passou, e onde encontrou sua morte. Para isso foi criada uma trilha turística, a "trilha de Che", que seguindo suas pegadas, inicia-se, por rodovia, em Santa Cruz de la Sierra, atravessa a localidade inca de Samaipata, e prossegue pelos vilarejos Vallegrande e La Higuera. Essa trilha turística busca levar o turismo internacional de massas a esse distante rincão das selvas bolívianas, aproveitando o mito Che Guevara. Filme biográfico Diarios de Motocicleta (2004) Na Sierra Maestra com Raúl Castro Em 2004 foi apresentado um filme, Diarios de Motocicleta, dirigido Walter Salles, nos gêneros aventura e drama biográfico, cujo roteiro foi baseado nos livros de Ernesto "Che" Guevara de La Serna (Notas de viaje) e Alberto Granado (Con el Che por America), contando a aventura desses então dois colegas universitários na travessia do continente sul-americano numa velha motocicleta Norton 500 cc, fabricada em 1939 e apelidada de La Poderosa II, numa viagem que se estendeu de Buenos Aires a Caracas. Filme épico Che apresentado no 61° Festival de Cannes Em 2008 foi exibido um filme-acontecimento do 61º Festival de Cannes, intitulado "Che", de Steven Soderbergh, com 4h28 de duração, em duas partes Na primeira metade descreve a participação de Che na Revolução Cubana (1959) e avança até o discurso do guerrilheiro na ONU, em 1964. A segunda parte de "Che" se concentra nos 341 dias que ele passou na selva boliviana, treinando guerrilheiros, até sua morte, em outubro de 1967. "… há muitos aspectos da vida de Che que as pessoas não conhecem. Se contássemos o que ocorreu na Bolívia sem mostrar o que houve antes, não haveria o contexto para entender a história." disse Soderbergh. Sobre os que desaprovam o fato do filme "Che" retratar um perfil positivo do guerrilheiro e favorável às suas ações, Soderbergh afirmou: "Conheço bem a argumentação dos que são anti-Che e sei que qualquer quantidade de barbaridades que incluíssemos nesse filme não seria suficiente para satisfazê-los".FIDEL:“ Conheci-o durante noites mexicanas frias, e lembro que nossa primeira discussão foi sobre política mundial. Poucas horas depois – de madrugada – eu já era um dos futuros expedicionários. Na realidade, depois da experiência vivida em minhas caminhadas por toda a América latina e do arremate na Guatemala, não era difícil incitar-me a participar de qualquer revolução contra um tirano, mas Fidel impressionou-me como homem extraordinário. As coisas mais impossíveis, ele encarava e resolvia [...] partilhei do seu otimismo. Era hora de fazer, de combater, de planejar. De deixar de chorar para começar a lutar.”Ernesto Che Guevara * 1928 † 1967
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